segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Gelol

Já não sinto mais o cheiro no travesseiro, durmo de costas,
bate um desespero na minha porta

A rima fraca, infantil mostra o embrutecimento
a agua morna não degela, apenas esfria, o gelo degelando só resfria mantendo acordado,
quando não se dorme, não se sonha,
não se sonha não se vive
o sol faz sombra a lua
que brilha somente escorada no gigante
pólvora que explode não atinge, apenas fragmenta em traços de luz, 
é passageiro 
a passagem conduz a lugares, a pessoas novas, mas o caminho do gelo é voltar ao mar
Velegar é preciso, erguer o mastro e fechar os olhos, o vento cuidará desta rota
que levará para casa, a bahia de todos os santos.


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Dog.

Conta-se a história de um pequeno cão pastor,
o jovem cachorro vivia em matilha, como qualquer cachorro normal..
lá aprendeu a caçar, lá aprendeu a roer, lá aprendeu a brincar.. conduzindo por seus instintos e capacitado a casar decidiu por namorar.
foi cortar lenha, fez a casa, o quarto e a cama.. com suor gosto e apreço um lar construiu.
A lua estava clara, o uivo se ouvia por toda a floresta, e uma linda cadela pelo cão se encantou..
No cortejo no chamego na paixão o primeiro beijo rolou,
a dança se fazia, a musica soava, e a cadela em sua matilha lá permanecia e somente lá sonhava,
o cão convidou, a cadela recusou e o amor esfriou...
A casa construída permanece vazia, o cão em sua cama uiva para alguma corajosa da matilha.


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Pipoca.


Ligo o microondas, a pipoca assa frita e pula
numa explosão de pressões e calor se transforma
muda a forma

Mudei, como pipoca de microondas
mudei, a pressão já não me incomoda
não transforma não deforma

De olhar a forma o jeito e o medo paramos
não andamos
choramos

Mudei, mas por pouco tempo
pois no tempo não se para
não se forma
apenas transforma.

sábado, 6 de outubro de 2012

Amô.

Não gosto de usar texto alheio em meu blog..
mas isto falou com muita propriedade de meus sentimentos, portanto darei uma colher de chá..

http://www.youtube.com/watch?v=EcNRJ8ihZV0&feature=player_embedded

domingo, 23 de setembro de 2012

Bigo .

-Ei, disse o umbigo me chamando.. 
Olhando para ele e ouvindo sua voz, sou algemado aos seus dizeres, os pés se apertam e os braços comprimidos, e tudo que eu faço é por sua vontade, desejo e furor. É isso que me move, neste movimento cíclico de descontentamento... meus olhos outrora voltado a ele vão diminuindo para dar espaço ao espaçoso ouvido, já não é mais útil, só interessa o que ouço, o que eu digo, minha voz precisa ser ouvida por mim mesmo, e nos dizeres só se fazem os meus prazeres, minhas vontades.
Caminho e esbarro, não vejo ninguém, não preciso ver ninguém, somente a voz dele.. tropeço, não vejo nada... me firo, não sinto o perigo próximo.. Sangrando continuo caminhando esbarrando e tropeçando.
É fadigante, essa minha voz me fere, essa minha voz me cansa, essa minha voz oprime, e mais fadigante ainda é saber que ela não se cala, pois o umbigo não sacia... No sangue, no cansaço, no esbarro.. ouço uma voz...
É diferente, é suave, é doce.. sorrio, o umbigo grita querendo mais um dos seus luxos...
Meu sorriso vai aos poucos diminuindo sua asquerosa voz, e a minha cara que tinha virado só boca e ouvido, vai dando espaço aos olhos.. Estou curvado, mas rompendo em minha pose de escravo vou me esgueirando e rompendo as correntes fico de pé, e com as mãos tapo os ouvidos..
Estou livre e olhando em seus olhos ouço sua voz me convidando a caminhar, não no risco, não no tropeço, não no sangue, mas na certeza dos passos, do sorriso e do amor !


domingo, 26 de agosto de 2012

Peleleca.

Hoje é dia de Maria já dizia a minissérie. Sorria você está sendo amada já dizia o elevador.. nas citações te vejo, nas situações eu penso e digo o que é meu e de mim vem.
As nuvens se vão, só vejo o sol e ele me aquece e revelando o que era sombra mostra a totalidade, as cores  o branco o escuro, o verde. Só quando tem luz é que se pode caminhar e não tropeçar, meu caminho se faz em busca de um sorriso seu, por ele vale a pena lutar, lutar?? não é luta é a mais pura inspiração e levidade, um balão que mais leve que o ar sobe e chega aos céus. Não preciso que faça nada para mim, nunca precisou e agora não tem nuvens.. não preciso plantar, larguei a roça fui a cidade voltei e os girassóis continuam lindos, não faço força alguma não cultivo, não depende de mim, está bem, eu aceito é a minha roça, eu amo ela. Quero ver seu sorriso de novo, não porque preciso, afinal nada muda. Não tem poesia, o poeta é bom quando sofre, mas quando sorri, parece que não tem graça, a graça tá em nao ter graça em nao ter rima, é leve não marca, não pesa não sofre, talvez isso seja amor, o brilho que ilumina e nao ofusca. ofusca vc ja tem ofusca? Caminhe, levante a cabeça, enxugue as lagrimas e viva, lembre-se de mandar seu convite de casamento.. eu acredito no casamento, o matrimonio é a certeza da incerteza, o risco maior, las vesgas a capital da aposta, las vesgas a capital do estrabismo, las vesgas a capital do riso, las vesgas o matrimonio o risco e o amor, las vesgas case lá e parta para uma casa de madeira.. se quiser nao me convide, mas deixe a janela da igreja aberta, quero ve-la de noiva, quero ver os votos e o beijo, voce merece tudo isso na mais tenra promessa, voce merece a eternidade, eternize o momento.. eternite sua casa ja dizia o bom pedreiro, cubra do sol da chuva, vou deixar lenha na sua porta no inverno bater e sair correndo, estarei a um passo de ti, estou na distancia do seu abraço e eu amo te amar !!



terça-feira, 21 de agosto de 2012

Polenta.

Quanto paga nesse doutô ?? 
-5 réus.. 
-me veja um daquele ali tambem.. 
-o que é aquilo?? 
-é feito de amendoim..
Pessoas circulavam, e ele empurrava o carrinho, a roda cheia de cabelo e pó grunhia a cada giro.. uns se aproximavam olhavam, pegavam um pedaço e pagavam, outros só olhavam, pra outros ele não vendia.. a rapidez era marca desse negocio, tal como a satisfação, aos que pegando um pedaço aqui logo ja se aproximavam de outro carrinho para matar seu desejo.. desejo este nebuloso e impulsivo.. ao fim do dia com o carrinho vazio o vendedor retornava a casa, abrindo a geladeira e a despensa pegava aquilo que no fogo e em varias panelas se tornaria util, saboroso.. não, nao precisava ser saboroso, ninguem estava interessado no gosto.. a unica necessidade era consistencia, para encher a barriga.. tudo no fogo, tudo esfriando, tudo pronto, tudo em pedaços... entao o sol gira a fechadura e o vendedor sai as ruas.. o negocio é a troca, o negocio é o acumulo do pouco, de grao em grao.. a tentativa da saciedade se faz em migalhas, de carrinho em carrinho, de troco e troca.. a mao que pegava a moeda pegava a comida que ia pra boca, a boca aberta mastiga engole engasga gospe e engole... fecho os olhos ja nao me agrada ver mais isso, o comercio é asco futil e sujo... 
Chuto o carrinho, e os pedaços voando encontram o chao , ali é seu lar o pedaço é pisado por pés humanos... caminho e me deparo a uma garota sentada, seu corpo fino esta envolto a um vestido preto com bolinhas, seus olhos redondo tranquilos como o de uma coruja alcançam os meus.. sinto um rebuliço, uma inquietaçao, um desejo..
-voce esta magra.. percebo que esta faminta .. pq nao come??
-estou descobrindo com o que quero me alimentar, só quem tem fome sabe do que precisa para comer..
Aquilo ecoou dentro de mim, aquele olhar, aquela fome.. vou pra casa decidido, abro a porta nem a fecho nao há tempo.. na despensa pego tudo o que quero, na forma asso tudo o que sinto, na frigidera frito tudo que tenho.. esta pronto para ser servido.. com o prato completo e as 2 mão carrego comigo tudo o que fiz, nao é para vender, a plena comida é dada, oferecida e desejada.. em encontro a ela me coloco de joelhos e pergunto ao seu ouvido..
-o que vc quer comer??
-polenta, ela responde..
descubro o prato e a menina coruja sorri, ela então come se alegra e sacia !!