segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Dog.

Conta-se a história de um pequeno cão pastor,
o jovem cachorro vivia em matilha, como qualquer cachorro normal..
lá aprendeu a caçar, lá aprendeu a roer, lá aprendeu a brincar.. conduzindo por seus instintos e capacitado a casar decidiu por namorar.
foi cortar lenha, fez a casa, o quarto e a cama.. com suor gosto e apreço um lar construiu.
A lua estava clara, o uivo se ouvia por toda a floresta, e uma linda cadela pelo cão se encantou..
No cortejo no chamego na paixão o primeiro beijo rolou,
a dança se fazia, a musica soava, e a cadela em sua matilha lá permanecia e somente lá sonhava,
o cão convidou, a cadela recusou e o amor esfriou...
A casa construída permanece vazia, o cão em sua cama uiva para alguma corajosa da matilha.


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Pipoca.


Ligo o microondas, a pipoca assa frita e pula
numa explosão de pressões e calor se transforma
muda a forma

Mudei, como pipoca de microondas
mudei, a pressão já não me incomoda
não transforma não deforma

De olhar a forma o jeito e o medo paramos
não andamos
choramos

Mudei, mas por pouco tempo
pois no tempo não se para
não se forma
apenas transforma.

sábado, 6 de outubro de 2012

Amô.

Não gosto de usar texto alheio em meu blog..
mas isto falou com muita propriedade de meus sentimentos, portanto darei uma colher de chá..

http://www.youtube.com/watch?v=EcNRJ8ihZV0&feature=player_embedded

domingo, 23 de setembro de 2012

Bigo .

-Ei, disse o umbigo me chamando.. 
Olhando para ele e ouvindo sua voz, sou algemado aos seus dizeres, os pés se apertam e os braços comprimidos, e tudo que eu faço é por sua vontade, desejo e furor. É isso que me move, neste movimento cíclico de descontentamento... meus olhos outrora voltado a ele vão diminuindo para dar espaço ao espaçoso ouvido, já não é mais útil, só interessa o que ouço, o que eu digo, minha voz precisa ser ouvida por mim mesmo, e nos dizeres só se fazem os meus prazeres, minhas vontades.
Caminho e esbarro, não vejo ninguém, não preciso ver ninguém, somente a voz dele.. tropeço, não vejo nada... me firo, não sinto o perigo próximo.. Sangrando continuo caminhando esbarrando e tropeçando.
É fadigante, essa minha voz me fere, essa minha voz me cansa, essa minha voz oprime, e mais fadigante ainda é saber que ela não se cala, pois o umbigo não sacia... No sangue, no cansaço, no esbarro.. ouço uma voz...
É diferente, é suave, é doce.. sorrio, o umbigo grita querendo mais um dos seus luxos...
Meu sorriso vai aos poucos diminuindo sua asquerosa voz, e a minha cara que tinha virado só boca e ouvido, vai dando espaço aos olhos.. Estou curvado, mas rompendo em minha pose de escravo vou me esgueirando e rompendo as correntes fico de pé, e com as mãos tapo os ouvidos..
Estou livre e olhando em seus olhos ouço sua voz me convidando a caminhar, não no risco, não no tropeço, não no sangue, mas na certeza dos passos, do sorriso e do amor !


domingo, 26 de agosto de 2012

Peleleca.

Hoje é dia de Maria já dizia a minissérie. Sorria você está sendo amada já dizia o elevador.. nas citações te vejo, nas situações eu penso e digo o que é meu e de mim vem.
As nuvens se vão, só vejo o sol e ele me aquece e revelando o que era sombra mostra a totalidade, as cores  o branco o escuro, o verde. Só quando tem luz é que se pode caminhar e não tropeçar, meu caminho se faz em busca de um sorriso seu, por ele vale a pena lutar, lutar?? não é luta é a mais pura inspiração e levidade, um balão que mais leve que o ar sobe e chega aos céus. Não preciso que faça nada para mim, nunca precisou e agora não tem nuvens.. não preciso plantar, larguei a roça fui a cidade voltei e os girassóis continuam lindos, não faço força alguma não cultivo, não depende de mim, está bem, eu aceito é a minha roça, eu amo ela. Quero ver seu sorriso de novo, não porque preciso, afinal nada muda. Não tem poesia, o poeta é bom quando sofre, mas quando sorri, parece que não tem graça, a graça tá em nao ter graça em nao ter rima, é leve não marca, não pesa não sofre, talvez isso seja amor, o brilho que ilumina e nao ofusca. ofusca vc ja tem ofusca? Caminhe, levante a cabeça, enxugue as lagrimas e viva, lembre-se de mandar seu convite de casamento.. eu acredito no casamento, o matrimonio é a certeza da incerteza, o risco maior, las vesgas a capital da aposta, las vesgas a capital do estrabismo, las vesgas a capital do riso, las vesgas o matrimonio o risco e o amor, las vesgas case lá e parta para uma casa de madeira.. se quiser nao me convide, mas deixe a janela da igreja aberta, quero ve-la de noiva, quero ver os votos e o beijo, voce merece tudo isso na mais tenra promessa, voce merece a eternidade, eternize o momento.. eternite sua casa ja dizia o bom pedreiro, cubra do sol da chuva, vou deixar lenha na sua porta no inverno bater e sair correndo, estarei a um passo de ti, estou na distancia do seu abraço e eu amo te amar !!



terça-feira, 21 de agosto de 2012

Polenta.

Quanto paga nesse doutô ?? 
-5 réus.. 
-me veja um daquele ali tambem.. 
-o que é aquilo?? 
-é feito de amendoim..
Pessoas circulavam, e ele empurrava o carrinho, a roda cheia de cabelo e pó grunhia a cada giro.. uns se aproximavam olhavam, pegavam um pedaço e pagavam, outros só olhavam, pra outros ele não vendia.. a rapidez era marca desse negocio, tal como a satisfação, aos que pegando um pedaço aqui logo ja se aproximavam de outro carrinho para matar seu desejo.. desejo este nebuloso e impulsivo.. ao fim do dia com o carrinho vazio o vendedor retornava a casa, abrindo a geladeira e a despensa pegava aquilo que no fogo e em varias panelas se tornaria util, saboroso.. não, nao precisava ser saboroso, ninguem estava interessado no gosto.. a unica necessidade era consistencia, para encher a barriga.. tudo no fogo, tudo esfriando, tudo pronto, tudo em pedaços... entao o sol gira a fechadura e o vendedor sai as ruas.. o negocio é a troca, o negocio é o acumulo do pouco, de grao em grao.. a tentativa da saciedade se faz em migalhas, de carrinho em carrinho, de troco e troca.. a mao que pegava a moeda pegava a comida que ia pra boca, a boca aberta mastiga engole engasga gospe e engole... fecho os olhos ja nao me agrada ver mais isso, o comercio é asco futil e sujo... 
Chuto o carrinho, e os pedaços voando encontram o chao , ali é seu lar o pedaço é pisado por pés humanos... caminho e me deparo a uma garota sentada, seu corpo fino esta envolto a um vestido preto com bolinhas, seus olhos redondo tranquilos como o de uma coruja alcançam os meus.. sinto um rebuliço, uma inquietaçao, um desejo..
-voce esta magra.. percebo que esta faminta .. pq nao come??
-estou descobrindo com o que quero me alimentar, só quem tem fome sabe do que precisa para comer..
Aquilo ecoou dentro de mim, aquele olhar, aquela fome.. vou pra casa decidido, abro a porta nem a fecho nao há tempo.. na despensa pego tudo o que quero, na forma asso tudo o que sinto, na frigidera frito tudo que tenho.. esta pronto para ser servido.. com o prato completo e as 2 mão carrego comigo tudo o que fiz, nao é para vender, a plena comida é dada, oferecida e desejada.. em encontro a ela me coloco de joelhos e pergunto ao seu ouvido..
-o que vc quer comer??
-polenta, ela responde..
descubro o prato e a menina coruja sorri, ela então come se alegra e sacia !!


domingo, 15 de julho de 2012

Marshmallow

Os velhos contavam uma lenda no vilarejo de Astorga, os velhos envelhecidos pelo conhecimento e pelos dias bem vividos, dizia-se de uma doce lagoa verde no meio da floresta que ao que nela mergulhasse sairia rejuvenescido do tempo.. não que a lagoa apagasse o passado nem prometesse o futuro, mas asseguraria de um eterno presente, a eterna juventude do agora.. Nesse reino uma linda garota sempre ouvira dessa historia assim como todas as demais, mas o que a fazia diferente é que sempre acreditara nessa historia.. em suas noites de descanso adormecia em pensamento na sua lagoa verde, e a cada noite parecia que seu respirar alcançava o frescor das águas, e cada descanso era mais revigorante, cada descanso era um descanso, cada descanso era uma certeza.. Era junho, e como todo vilarejo a festa junina marcava este mês e acontecia ao ritmo de dançantes musicas e boas comidas, na metade do mês estava programado a maior das festas, onde a fogueira de quinze metros seria acessa e os fogos estourariam.. a linda garota tratou de se aprontar no final da tarde e tomou um banho na escuridão do rio, fez uma trança e colocou grampos bem presos em seus cabelos e saiu para a festa, chegando lá avistou o carrinho de pipocas e pegou um saquinho bem cheio, logo que começou a comer viu que sua amiga americana estava sentada num banco, logo sentou ao seu lado e ali permaneceu aconchegada.. pessoas passavam sorrindo e assobiando e o clima era de festa.. a jovem comia e avistando o fundo branco do seu saco percebia que estava com fome, mas não era fome de pipoca, nem de feijão, era fome daquilo que ela ainda não tinha comido.. sorrindo logo lembrou daquilo que a inquietava, era a lenda, a lenda que a convidava a ser vivida e descoberta.. despediu-se de sua amiga, e caminhou apressadamente até sua casa onde na geladeira pegou um potinho de salada de fruta e partiu rumo a floresta.. começou logo a caminhar rumo a floresta e o som da musica a suas costas começava a mais distante até sumir, e então os únicos sons eram dos sabiás numa ritmada canção, seus passos eram dados com firmeza e caminhava numa direção que não conhecia, o importante era caminhar não ficar parada ao tempo.. seus olhos constantemente se fechavam e sua mente como num sonho a levava as águas, abria um tanto assustada e percebia que estava suada.. ao voltar de uma dessas ilusões percebeu ao seu redor que já não tinha mais nenhuma arvore, e um campo de grama estava a sua frente, e tudo era iluminado pela lua, tudo se fazia visível.. continuou a caminhar e abrindo a boca assustada percebeu que estava a beira de um penhasco, e abaixo dele estava a lagoa verde, a sua lagoa verde calma e serena.. era alto, muito alto, a calmaria de outrora foi preenchida por um estranho temor.. se aproximou lentamente afim de contemplar toda a lagoa, era linda, verde e iluminada, o estranhamento e o silencio da primeira vista dera lugar a uma voz, e a uma fala, e nessa fala claro era o convite do pulo.. de repente ouve um estrondo seguindo de um clarão vindo atrás de si, vira-se e risonha lembra que são os fogos da festa e então senta-se no chão comendo sua salada de frutas, contempla até que o ultimo é lançado, então vira-se de novo a sua lagoa e ficando a beira do penhasco olha para os seus pés e para todo seu corpo então fecha os seus olhos, e abrindo os seus braços lentamente se prepara para um abraço, ficando nas pontas dos pés inclina seu corpo para frente e pensa.. estou feliz porque sinto que aqui é o meu lugar...