segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Aparente realidade.

Em meio a tempestade, o céu me oferece vento, uma paisagem de raios e granizo. Um estouro, um susto, um clarão, um arrepio, tudo ao mesmo tempo. Não se deve correr, tão pouco se abrigar, em uma tempestade o melhor é deitar. Temer? Chorar? Sorrir? Coube a mim a escolha. Contemplar.

O corpo todo oferecido a intempérie. Péssima escolha. Acabou a contemplação. Me sento abraçando as pernas. Faz Frio. O corpo sacoleja em busca do calor, o queixo bate descompassado. Acho um compasso, bate.. mas agora no ritmo que desejo, esqueço do frio. A cabeça baixa tira a esperança, é preciso olhar ao céu em busca duma fresta, algo que anuncie o fim desta frieza.

Diminuem-se os raios, estendo as mãos e sobre elas cai um pedaço de gelo. Presente dos céus, ele começa a queimar e aquecer os meus dedos, elevo meu olhar em graça e avisto o sol avançando timidamente e dissipando as nuvens.
Ele é meu, somente meu, e veio a meu encontro, e agora me esquenta, eu, eu mesmo, quem sentia frio, tudo faz sentido. Destino? Sorte? Não preciso de definição na verdade. Estamos juntos.

Volto meu olhar para ele, e percebo que lentamente vai se transformando em outra coisa, coisa esta que não me aquece mais. Não posso abandonar-te, em meio a solidão que estive, somente tu esteve comigo, do mais temível frio, fui tu quem me aqueceu. Mas agora vai-se, e pingando sobre meu dedos alcança a terra. Tudo bem, não precisa me esquentar, agora seu estado natural é outro, mas ainda assim, lembrarei pra que me serviu e buscarei em ti uma nova utilidade. Levarei-te comigo, e farei-te um altar. Tiro meu chapéu e o acolho no meio dele, uma bacia, estamos junto.

Tudo parou: a chuva, os raios, o frio e a solidão. O sol que me alcança, me anima a caminhar, levanto e contemplo a imagem disforme de quem mais me aqueceu.
Agora é todo líquido, reflete o sol, e não só reflete mas é seduzido e vai lentamente evaporando para longe do meu altar.


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Balboa

Caminhava em minha direção, éramos só nesta rua, o transito cessara e previsivel era nosso encontro, um vento contrario a minha face, me faziam sentir o seu perfume de podridão, nao existia prioridade para com seu corpo, nem com sua aparencia, talvez até para sua vida. Seu cabelo duro não se mexia nesta brisa, seus passos arrastados denunciavam a deriva do seu destino.

Ainda não havia notado minha presença, e meu olhar percorria-lhe o corpo na esperança de encontrar algum ferimento, alguma cicatriz, características de um guerreiro de rua.

Quando se depara com minha presença apura os passos na direção de um poste, e cerrando as mãos, ajeitando a postura poe-se a socar. Paro e contemplo a cena, não busco respostas, quero somente olhá-lo, estamos perto, na distância de alguns passos, nossos olhares se cruzam, mantenho-o preso aos meus: encarando-o. Não sinto medo, nem ao menos ameaçado, tão somente aquele gesto me diz: ainda tenho forças para lutar, para vencer. E em resposta lhe digo: já venceste o mundo guerreiro, ainda está de pé.




sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Escadas da conquista.

Sentado, enquanto aguardava ser atendido pelo médico, olhava ao redor buscando alguma distração, já se passara meia hora e sabe Deus mais quanto tempo aguardaria. Não me importo de esperar, mas preciso de algo para me entreter, olhando para a parede na escadaria procuro encontrar um padrão geométrico nos cartazes informativos colados na parede, eram 6 no total em 3 fileiras com 2 colunas, os da fila to meio estavam tort.. zuuuummmm, passa um garoto com seus cinco anos, e cabelo metricamente cortado, suas vestes apontam toda sua inquietude, roupas surradas e com algumas manchas de barro, ele não andava, corria.

Corria em direção ao segundo andar, aquele lance de escadas, e nela dois platos, eram o tempo do garoto tomar folego. Quando chegou la em cima, eu e ele sentimos falta daquela faixa de chegada, era uma conquista, precisava de comemoração, não precisava ser champagne, suco estava bom, afinal ele era uma criança. Não demorou muito para que ele voltasse a correr, desta vez, descendo a escadaria.
No meio desta pista, um homem engravatado com ar de segurança diz para o garoto ter cuidado.Ele finalmente desce e andando agora ofegante vai de encontro ao seu pai sentado em uma cadeira de rodas um tanto apático, cansado e desiludido, e num abraço o garoto encontra seu troféu.

Não foi somente o troféu que ele encontrou, ele encontrou folego.Mais que rapidamente se posiciona junto ao pé da escada. A prova agora é outra, com os dois pés juntos. Numa fatigante subida ele vence novamente, eu tinha certeza que conseguiria,e novamente sentimos falta da faixa de campeão. Agora sua descida é lenta, seu peito ritmado, numa respiração quase audível para mim, aquelas mãos pequeninas segurando o corrimão, mostra e tão somente mostra que ele deu tudo de si.
Ele agora caminha ao pódio, primeiro lugar, o suor na testa, as costas levemente arcadas, o doce sorriso no rosto e enfim seu premio, o colo do pai. Eu, o unico e secreto espectador, comemoro, e com lágrimas ao invés de palmas saúdo este jovem campeão.












domingo, 29 de setembro de 2013

Celeiro da Despedida.

Meu corpo estava quente, a bota em passos firmes dada aos largos passos, esmagava as relvas que no caminho estavam. Caminho este sem rumo, o alvo era o horizonte e tão somente ele; no fim da tarde o frescor da brisa era bem vindo ao meu suor, fechar os olhos durante o vento é como um carinho na pele. O único incomodo que eu tinha naquele momento era com minha bagagem, que carregada nas costas e pelo seu peso, começava a me fazer pequenas feridas nos ombros onde a alça apoiava.

O incômodo tornara-se uma necessidade de descanso, mas deitar e dormir na estrada estão muito aquém do meu desejo, continuo andando acompanhando o despertar de uma noite fria e escura. Avisto uma pequena casa a minha frente, de madeira, com uma chaminé declarando o preparo de um quitute, acredito ser salada de fruta, me dou conta e estou andando mais rápido, até minha respiração mudou.

Todo um jardim enfeitado, a caixa de correios era uma miniatura de sua própria casa, uma varandinha defronte a porta, e três degraus separando-a do jardim, era tudo extremamente lindo e convidativo a um aconchego, permaneço um bom tempo num estado contemplativo até que sou surpreendido pelo ardor nos ombro. Então, decido bater, prontamente eis que surge diante de mim uma linda garota, meu olhar se mescla   entre seus olhos e sua mão gordinha apoiada a porta, percebendo seu ar de indagação, peço por uma hospedagem e um prato de sopa, seu sorriso antes de suas palavras declaram uma alegria em meu pedido, e em seus olhos percebo que me ofereceria muito mais do que eu pedia.

Me aproximo em direção a porta, e balançando a cabeça em negação diz que o jantar ainda não está pronto, e que a casa ainda está uma bagunça, certamente queria me impressionar e gostaria de me receber com tudo em ordem. Com seu meigo sorriso, pede que eu aguarde e fecha a porta. Dou uma risada interna, daquelas fungadas com o nariz sem mostrar os dentes, acho graça pois afinal o que um suado viajante se incomodaria naquela ajeitada casinha? Num instante ela retorna e abre a porta me trazendo um banquinho e uma xícara de chá, chá este um tanto morno, certamente feito na manhã daquele dia e guardado numa térmica já não tanto eficiente, me alegro com isto afinal nada tinha para beber, mas que era morno era.

Retiro a mochila e a posiciono no chão, respiro aliviado, avalio que pausas devem ser mais constantes para meu bem estar. Posiciono o banquinho em direção a estrada e percebo do céu cair pequenos flocos de neve, certamente essa noite seria fria, e eu havia me dado bem. Chegando a esta conclusão batuco com os pés no chão, assobio, bato o pé e dando tapas na coxa faço ritmo, compondo uma canção.

O que será que estaria em desacordo naquela casa?O que a minha vista não poderia ver? Não que me importasse com isso, mas a curiosidade me encontrava, a curiosidade antevem as mais furtivas ações. Levantando, desço sorrateiramente as escadas e coloco-me a circundar a casa, parando em cada janela e tomando o cuidado para não ser visto. Nada vejo, ouço somente barulho de arrastar de móveis, e assobios, julgo ser notas daquelas feitas para não ser atormentada pelo silencio que conduzem a introspecção.

Sentado novamente, fecho as mãos em concha e em rápidos sopros tento aquecer-me, levanto, sento, levanto, sento.. tudo que queria era estar lá dentro. Bem, a neve tá mais forte, não posso ficar parado aqui. Quando as necessidades vitais estão em jogo, os sentidos estão dispostos para tal realização.

Lembro daquele sorriso, daqueles olhos e da mão gordinha. Isso me sustenta mais um tempo ali em frente, fecho os olhos e mantenho esta imagem. Começo a ter certeza de que tudo é lindo lá dentro, posso sentir o conforto de um sofá de couro marrom, as notas de um piano, a lareira em fogo brando.. Sou desperto pelo meu corpo num arrepio violento. Não me serve essa ilusão da sopa no fogão, o sofá macio e a lareira queimando é preciso estar vivo e aquecido.

Pego a mochila, coloco nas costas e parto. É um parto partir quando se esteve tão perto de existir.









segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Gelol

Já não sinto mais o cheiro no travesseiro, durmo de costas,
bate um desespero na minha porta

A rima fraca, infantil mostra o embrutecimento
a agua morna não degela, apenas esfria, o gelo degelando só resfria mantendo acordado,
quando não se dorme, não se sonha,
não se sonha não se vive
o sol faz sombra a lua
que brilha somente escorada no gigante
pólvora que explode não atinge, apenas fragmenta em traços de luz, 
é passageiro 
a passagem conduz a lugares, a pessoas novas, mas o caminho do gelo é voltar ao mar
Velegar é preciso, erguer o mastro e fechar os olhos, o vento cuidará desta rota
que levará para casa, a bahia de todos os santos.


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Dog.

Conta-se a história de um pequeno cão pastor,
o jovem cachorro vivia em matilha, como qualquer cachorro normal..
lá aprendeu a caçar, lá aprendeu a roer, lá aprendeu a brincar.. conduzindo por seus instintos e capacitado a casar decidiu por namorar.
foi cortar lenha, fez a casa, o quarto e a cama.. com suor gosto e apreço um lar construiu.
A lua estava clara, o uivo se ouvia por toda a floresta, e uma linda cadela pelo cão se encantou..
No cortejo no chamego na paixão o primeiro beijo rolou,
a dança se fazia, a musica soava, e a cadela em sua matilha lá permanecia e somente lá sonhava,
o cão convidou, a cadela recusou e o amor esfriou...
A casa construída permanece vazia, o cão em sua cama uiva para alguma corajosa da matilha.


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Pipoca.


Ligo o microondas, a pipoca assa frita e pula
numa explosão de pressões e calor se transforma
muda a forma

Mudei, como pipoca de microondas
mudei, a pressão já não me incomoda
não transforma não deforma

De olhar a forma o jeito e o medo paramos
não andamos
choramos

Mudei, mas por pouco tempo
pois no tempo não se para
não se forma
apenas transforma.

sábado, 6 de outubro de 2012

Amô.

Não gosto de usar texto alheio em meu blog..
mas isto falou com muita propriedade de meus sentimentos, portanto darei uma colher de chá..

http://www.youtube.com/watch?v=EcNRJ8ihZV0&feature=player_embedded

domingo, 23 de setembro de 2012

Bigo .

-Ei, disse o umbigo me chamando.. 
Olhando para ele e ouvindo sua voz, sou algemado aos seus dizeres, os pés se apertam e os braços comprimidos, e tudo que eu faço é por sua vontade, desejo e furor. É isso que me move, neste movimento cíclico de descontentamento... meus olhos outrora voltado a ele vão diminuindo para dar espaço ao espaçoso ouvido, já não é mais útil, só interessa o que ouço, o que eu digo, minha voz precisa ser ouvida por mim mesmo, e nos dizeres só se fazem os meus prazeres, minhas vontades.
Caminho e esbarro, não vejo ninguém, não preciso ver ninguém, somente a voz dele.. tropeço, não vejo nada... me firo, não sinto o perigo próximo.. Sangrando continuo caminhando esbarrando e tropeçando.
É fadigante, essa minha voz me fere, essa minha voz me cansa, essa minha voz oprime, e mais fadigante ainda é saber que ela não se cala, pois o umbigo não sacia... No sangue, no cansaço, no esbarro.. ouço uma voz...
É diferente, é suave, é doce.. sorrio, o umbigo grita querendo mais um dos seus luxos...
Meu sorriso vai aos poucos diminuindo sua asquerosa voz, e a minha cara que tinha virado só boca e ouvido, vai dando espaço aos olhos.. Estou curvado, mas rompendo em minha pose de escravo vou me esgueirando e rompendo as correntes fico de pé, e com as mãos tapo os ouvidos..
Estou livre e olhando em seus olhos ouço sua voz me convidando a caminhar, não no risco, não no tropeço, não no sangue, mas na certeza dos passos, do sorriso e do amor !


domingo, 26 de agosto de 2012

Peleleca.

Hoje é dia de Maria já dizia a minissérie. Sorria você está sendo amada já dizia o elevador.. nas citações te vejo, nas situações eu penso e digo o que é meu e de mim vem.
As nuvens se vão, só vejo o sol e ele me aquece e revelando o que era sombra mostra a totalidade, as cores  o branco o escuro, o verde. Só quando tem luz é que se pode caminhar e não tropeçar, meu caminho se faz em busca de um sorriso seu, por ele vale a pena lutar, lutar?? não é luta é a mais pura inspiração e levidade, um balão que mais leve que o ar sobe e chega aos céus. Não preciso que faça nada para mim, nunca precisou e agora não tem nuvens.. não preciso plantar, larguei a roça fui a cidade voltei e os girassóis continuam lindos, não faço força alguma não cultivo, não depende de mim, está bem, eu aceito é a minha roça, eu amo ela. Quero ver seu sorriso de novo, não porque preciso, afinal nada muda. Não tem poesia, o poeta é bom quando sofre, mas quando sorri, parece que não tem graça, a graça tá em nao ter graça em nao ter rima, é leve não marca, não pesa não sofre, talvez isso seja amor, o brilho que ilumina e nao ofusca. ofusca vc ja tem ofusca? Caminhe, levante a cabeça, enxugue as lagrimas e viva, lembre-se de mandar seu convite de casamento.. eu acredito no casamento, o matrimonio é a certeza da incerteza, o risco maior, las vesgas a capital da aposta, las vesgas a capital do estrabismo, las vesgas a capital do riso, las vesgas o matrimonio o risco e o amor, las vesgas case lá e parta para uma casa de madeira.. se quiser nao me convide, mas deixe a janela da igreja aberta, quero ve-la de noiva, quero ver os votos e o beijo, voce merece tudo isso na mais tenra promessa, voce merece a eternidade, eternize o momento.. eternite sua casa ja dizia o bom pedreiro, cubra do sol da chuva, vou deixar lenha na sua porta no inverno bater e sair correndo, estarei a um passo de ti, estou na distancia do seu abraço e eu amo te amar !!



terça-feira, 21 de agosto de 2012

Polenta.

Quanto paga nesse doutô ?? 
-5 réus.. 
-me veja um daquele ali tambem.. 
-o que é aquilo?? 
-é feito de amendoim..
Pessoas circulavam, e ele empurrava o carrinho, a roda cheia de cabelo e pó grunhia a cada giro.. uns se aproximavam olhavam, pegavam um pedaço e pagavam, outros só olhavam, pra outros ele não vendia.. a rapidez era marca desse negocio, tal como a satisfação, aos que pegando um pedaço aqui logo ja se aproximavam de outro carrinho para matar seu desejo.. desejo este nebuloso e impulsivo.. ao fim do dia com o carrinho vazio o vendedor retornava a casa, abrindo a geladeira e a despensa pegava aquilo que no fogo e em varias panelas se tornaria util, saboroso.. não, nao precisava ser saboroso, ninguem estava interessado no gosto.. a unica necessidade era consistencia, para encher a barriga.. tudo no fogo, tudo esfriando, tudo pronto, tudo em pedaços... entao o sol gira a fechadura e o vendedor sai as ruas.. o negocio é a troca, o negocio é o acumulo do pouco, de grao em grao.. a tentativa da saciedade se faz em migalhas, de carrinho em carrinho, de troco e troca.. a mao que pegava a moeda pegava a comida que ia pra boca, a boca aberta mastiga engole engasga gospe e engole... fecho os olhos ja nao me agrada ver mais isso, o comercio é asco futil e sujo... 
Chuto o carrinho, e os pedaços voando encontram o chao , ali é seu lar o pedaço é pisado por pés humanos... caminho e me deparo a uma garota sentada, seu corpo fino esta envolto a um vestido preto com bolinhas, seus olhos redondo tranquilos como o de uma coruja alcançam os meus.. sinto um rebuliço, uma inquietaçao, um desejo..
-voce esta magra.. percebo que esta faminta .. pq nao come??
-estou descobrindo com o que quero me alimentar, só quem tem fome sabe do que precisa para comer..
Aquilo ecoou dentro de mim, aquele olhar, aquela fome.. vou pra casa decidido, abro a porta nem a fecho nao há tempo.. na despensa pego tudo o que quero, na forma asso tudo o que sinto, na frigidera frito tudo que tenho.. esta pronto para ser servido.. com o prato completo e as 2 mão carrego comigo tudo o que fiz, nao é para vender, a plena comida é dada, oferecida e desejada.. em encontro a ela me coloco de joelhos e pergunto ao seu ouvido..
-o que vc quer comer??
-polenta, ela responde..
descubro o prato e a menina coruja sorri, ela então come se alegra e sacia !!


domingo, 15 de julho de 2012

Marshmallow

Os velhos contavam uma lenda no vilarejo de Astorga, os velhos envelhecidos pelo conhecimento e pelos dias bem vividos, dizia-se de uma doce lagoa verde no meio da floresta que ao que nela mergulhasse sairia rejuvenescido do tempo.. não que a lagoa apagasse o passado nem prometesse o futuro, mas asseguraria de um eterno presente, a eterna juventude do agora.. Nesse reino uma linda garota sempre ouvira dessa historia assim como todas as demais, mas o que a fazia diferente é que sempre acreditara nessa historia.. em suas noites de descanso adormecia em pensamento na sua lagoa verde, e a cada noite parecia que seu respirar alcançava o frescor das águas, e cada descanso era mais revigorante, cada descanso era um descanso, cada descanso era uma certeza.. Era junho, e como todo vilarejo a festa junina marcava este mês e acontecia ao ritmo de dançantes musicas e boas comidas, na metade do mês estava programado a maior das festas, onde a fogueira de quinze metros seria acessa e os fogos estourariam.. a linda garota tratou de se aprontar no final da tarde e tomou um banho na escuridão do rio, fez uma trança e colocou grampos bem presos em seus cabelos e saiu para a festa, chegando lá avistou o carrinho de pipocas e pegou um saquinho bem cheio, logo que começou a comer viu que sua amiga americana estava sentada num banco, logo sentou ao seu lado e ali permaneceu aconchegada.. pessoas passavam sorrindo e assobiando e o clima era de festa.. a jovem comia e avistando o fundo branco do seu saco percebia que estava com fome, mas não era fome de pipoca, nem de feijão, era fome daquilo que ela ainda não tinha comido.. sorrindo logo lembrou daquilo que a inquietava, era a lenda, a lenda que a convidava a ser vivida e descoberta.. despediu-se de sua amiga, e caminhou apressadamente até sua casa onde na geladeira pegou um potinho de salada de fruta e partiu rumo a floresta.. começou logo a caminhar rumo a floresta e o som da musica a suas costas começava a mais distante até sumir, e então os únicos sons eram dos sabiás numa ritmada canção, seus passos eram dados com firmeza e caminhava numa direção que não conhecia, o importante era caminhar não ficar parada ao tempo.. seus olhos constantemente se fechavam e sua mente como num sonho a levava as águas, abria um tanto assustada e percebia que estava suada.. ao voltar de uma dessas ilusões percebeu ao seu redor que já não tinha mais nenhuma arvore, e um campo de grama estava a sua frente, e tudo era iluminado pela lua, tudo se fazia visível.. continuou a caminhar e abrindo a boca assustada percebeu que estava a beira de um penhasco, e abaixo dele estava a lagoa verde, a sua lagoa verde calma e serena.. era alto, muito alto, a calmaria de outrora foi preenchida por um estranho temor.. se aproximou lentamente afim de contemplar toda a lagoa, era linda, verde e iluminada, o estranhamento e o silencio da primeira vista dera lugar a uma voz, e a uma fala, e nessa fala claro era o convite do pulo.. de repente ouve um estrondo seguindo de um clarão vindo atrás de si, vira-se e risonha lembra que são os fogos da festa e então senta-se no chão comendo sua salada de frutas, contempla até que o ultimo é lançado, então vira-se de novo a sua lagoa e ficando a beira do penhasco olha para os seus pés e para todo seu corpo então fecha os seus olhos, e abrindo os seus braços lentamente se prepara para um abraço, ficando nas pontas dos pés inclina seu corpo para frente e pensa.. estou feliz porque sinto que aqui é o meu lugar...

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Girassol

Conta-se a história de um lenhador, um jovem lenhador que nunca se cansava e nunca descansava e amante do seu trabalho o fazia sorrindo.. numa tarde qualquer voltava do bosque satisfeito com a lenha conseguida, habitualmente trilhava um caminho para sua casa mas neste dia decidiu voltar por outro lugar.. caminhava cantarolando sua habitual canção de retorno, sua canção de regresso, sua canção de progresso, sua canção tão e somente sua de palavras e assobios mais assobios do que palavras.. sua boca num impeto movimento cessara a canção pois seus olhos se deterão num imenso jardim repleto de flores, o sol tímido e preguiçoso colocava-se a dormir na linha do horizonte, no meio deste jardim uma flor se destacava, não por sua altura nem pelo seu tamanho mas sim pela sua estonteante beleza que em suas vividas cores alegram e entretêm aos que por ali passam.. o jovem lenhador agora encantado coloca sua lenha no chão e ajeitando-as arquiteta um simplório banquinho, senta-se e contempla o belo girassol no seu inclinar a despedir-se do gigante de luz.. o sol se faz muito fraco agora e a bela flor inclina-se no pouco que lhe resta da sua luz..
O lenhador irradiado decide por levar a majestosa flor a sua casa, com seu machado racha a lenha construindo um vaso e ajuntando um pouco de terra cria um novo lar ao belo girassol.. com orgulho caminha e segurando nas mãos sua mais bela aquisição, chegando em casa o jovem arrasta a mesa ao centro da sala de modo a posicionar sua flor em baixo da lampada.. com alegria pega seu chimarrão e senta-se em frente dela satisfeito em vê-la tão viva e tão vistosa.. muito tempo se passa e sua satisfação é a mesma.. do lado de sua casa um carro de som passa convidando aos ouvintes para uma peça de teatro, o jovem levanta-se apronta-se apaga a luz e sai de casa caminha senta e assiste a encenação levanta caminha e retorna a casa.. chegando ao seu acalentoso lar acende a luz e percebe que sua flor está murcha.. desesperado corre em sua direção e tirando do vaso toma-a em suas mãos e olhando de perto sua fragilidade e sequidão se arrepende profundamente de ter apagado a luz e num profundo silencio chora.. suas lagrimas percorrem seu rosto e pingam sobre sua amada.. seus olhar percorre todo seu corpo aguardando qualquer sinal que denote esperança da sua flor reerguer seu caule e recuperar a vividez de suas cores !!



quarta-feira, 11 de abril de 2012

Música para ser sentida !

Todo dia após uma noite de acalento descanso eu despertava com a mesma sensação e desejo de fazer música, o desejo de amar, era tão somente isto que me fazia tirar os pés da cama e pô-los no mundo....

Então na mesma ritualidade sacra pegava meu violino e após uma lenta e profunda contemplação eu o assoprava, assoprava como a brisa da manhã de modo a despertá-lo e prepará-lo para seu trabalho; sentava-me assim aos pés da rua pois a musica não se contem, não se pode fazer música no quarto, ela é feita para expandir, para alcançar...

Apoio o violino no meu ombro e precisamente elevo minha mão.. o arco que seguro aponta para o céu conectando o terreno ao transcendental, dando-me novamente a capacidade de amar. Antes de tocar a primeira nota, paro e penso : que ponte é essa? Sinto-me convencido de que não poderei compreender esta ligação, tem sentimentos e vivências que transpassam a razão....

A boa música inicia, fluindo o rangido das notas e de amor contagiando a todos os transitantes de minha rua, dentre os que passam meus olhos se detêm numa bela garota, que em seus passos firmes equilibrados e compassados me encantam e me alegram. Noto o exato momento em que ouve a minha música, o meu amar.. Ela para, sorri e inclinando a cabeça, procura o som que lhe agrada, então nossos olhos se encontram, timidamente desvia seu olhar e volta a caminhar sorrindo e extasiada com a boa musica que lhe alcança....

Ao passar pela minha frente seu corpo se inclina em minha direção contrário a sua racionalidade, pois num súbito realinho seu passo e corpo retornam para seu "original" caminho. Continuo a tocar, agora um tanto inquieto pois sabera que minha música ecoou e questionou aquela bela garota. A noite se aproximava e minha cama num sugestivo convite, convidava-me a deleitar-me nos seus macios lençóis. Cedo ao pedido e me deito, adormeço e acordo...

Acordo no mesmo anseio diário de fazer música, de amar. A ritualidade se repete de maneira ansiada e um tanto apressada, vou a rua na esperança de rever o caminhar que me encantara. Logo que me ponho a tocar avisto a garota, que um tanto descompassada mas convicta, caminha em minha direção, percebo em suas mãos uma bagagem que mal saberia me tiraria o fôlego. Na proximidade de estabelecer um diálogo ela para diante de mim, pacientemente sem querer interromper minha música aguarda, ora olhando para o violino, ora olhando para meus olhos. Não silencio o ranger das cordas, mas pergunto o que fazes a minha frente, sorridente responde que gostava daquela rua e desejava fazer música ao meu lado para os transitantes; assinto com a cabeça quase de imediato,então ela retira de sua mala, um violino, o arco e uma banqueta...

Continuo a tocar, agora um tanto artificial, pois distraio-me admirando posicionar-se na banqueta e elevando o arco. Sua música começa e assim permanecemos lado a lado, cada um no seu ritmo, cada um na sua música, cada um no seu amor.. Até que de repente tocamos a mesma nota e no mesmo ritmo, aquele som entrou nos meus ouvidos e percorreu todo meu corpo ecoando e fazendo esfriar todo meu interior.. Quando recuperei meu ar percebi que ela estava um tanto mole, enfraquecida, talvez também pela similaridade da nota.... Prosseguimos tocando e olho para ela, olho buscando entrelaçar-me no seu olhar, ela percebendo minhas intenções olha para mim e encontra-se comigo numa busca de entendimento e desbravamento..

Nesse olhar, nesse encontro uma nota se combina, duas notas se combinam, primeiro os olhos sorriem, segundo o sorriso se abre.. nesse sorriso um verso se faz, e uma musica começa a ser tecida, sem palavras, somente por olhares, somente pelo desejo de fazer música e somente pelo desejo de amar.. O piscar agora já não é mais distração para parar a música e distrair os dois músicos... Os transitantes que antes caminhavam agora flutuam quando a música lhes alcança..

O sol já tímido se despede e a lua na sua imponente presença quer fazer-se solitária na rua.. A música para, os violinos são guardados, as mãos são dadas e o caminhar é para dentro da casa, onde o único som será o dos corações que ritmados batendo junto fazem agora uma eterna canção !!!

quarta-feira, 7 de março de 2012

Háela !!

Dei um paço a liberdade !!
Paço que são passos na escada espiral de madeira, 
madeira que estala no pisar, estala não porque sofre mas porque canta nossa presença, 
espiral que conduz ao sol e a claridade que este oferece, proporcionando um encontro de Deniro com la pupila iluminada..
Dei um paço a liberdade !!
Se outrora olhares e dedos balizavam meus caminhos, agora sonhos e desejos indicam os próximos passos, 
mas os tigres vem a noite, aiiii meww ele não vem pra briga com vc..  trazem somente e tão necessariamente um samba colocado a direita do ouvido ..
Dei um paço a liberdade !!
um café desperta e apressa uma mente e 2 corações, sem açúcar, só morango precisa de açúcar (assim tinha dito o Mr) .. enquanto o café não chega organizo o depósito, fala-se em depósito imagina-se organização e calmaria, bem diferente do que se imagina é o que acontece, pensamento acelerado desordem emocional deposito apenas minha semente na terra da imaginação..
Dei um paço a liberdade !!
Agora o passo foi para trás, não o para trás ruim, somente para trás.. voltei a ser criança, voltei a brincar de lego, não não vc ta errado.. corrigindo agora somos lego..
Criança também assiste filme, to assistindo senhor dos anéis, adivinha qual?? o 2º, que é das 2 torres, mas vou mudar o nome vai ser.. Senhor dos anéis 1 torre 1 cachoeira 1 bebe..
também assisti nárnia, esse foi o1º, mas vou mudar o nome de novo, vai ser O urso a hilux e o guarda-roupa..
Criança também vai no zoológico, eu vi chester, urso, sapa, peru, cachorro, abelha, cavalo, búfalo ... nossa foi tanto bicho que nem lembro..
Criança também vai na festa junina.. ops não.. não vai não .. (rindo litros)
Dei um paço a liberdade !!
passos que ultrapassam uma vitrine, passos que não fritam o tomate, não se pode fritar tomate orgânico.. 
e cookie pode fritar?? cookie ja ta fritando, ta sempre quente, sempre aquecendo o osso verde afundado..
Verde ou blue?? blue ja sente falta.. espera ainda de castigo a olhar para parede..
parede lembra tinta, e tinta lembra o que?? hahaha, não lembra nada, lembra que não tenho nada e nem preciso ter, porque o que tenho já me basta..
Dei um paço a liberdade, passos a 2 lindos olhos, a um lindo sorriso, passos também a mim mesmo pois sei que em mim te encontro, não me chacoalhe não diga "que", não me acorde, quero permanecer neste sonho que sempre sonhei viver !!!


quinta-feira, 1 de março de 2012

O marinheiro, a Âncora e a Tempestade !

Conta-se a historia de um rapaz que a aventurar-se na vida, decidiu virar marinheiro.
Um barco era preciso para sair a navegar, com suas mãos e seu suor assim o construiu, levou-lhe para o mar onde pôs-se a navegar.
Seu barco era sua companhia, sua segurança, seu mundo !
No calor duma tarde, uma tempestade começou a tomar forma frente a rota do marinheiro,
o jovem marinheiro não se intimidou pois o sol ainda estava brilhando, e seu barco na mesma velocidade navegava pelo tranquilo oceano!
A tempestade caminhava lentamente pois não é na velocidade que demonstra sua força e sim na lentidão de sua constância.
Surge um vento agora fazendo o barco chacoalhar sobre as ondas, em notas descompassas bate o coração do marinheiro desencontrando com a batida do casco do barco nágua.
O que antes era um desencontro agora se tornara uma dança, e em cada nota as ondas desconstroem o barco e junto o chão do marinheiro. No meio dessa dança o bumbo toca e o raio desce rompendo o barco no meio, nada resta ao não ser fragmentos dispersos da embarcação flutuando sobre o mar !
O marinheiro caído ao mar está numa confusão de sentimentos; o que antes lhe guardava em segurança agora  dança no embalo da dança.. e tudo está mais distante de si !
Ainda no alcance de sua visão avista a ancora de sua embarcação presa ao pedaço da proa, sem demora nada velozmente a agarra-la, não é só os braços que a seguram, seu coração ainda esforça a estar junto com o pouco que lhe restou!
Sua força em permanecer com a âncora na superfície causa-lhe desconforto, na medida em que vai escurecendo e a noite vai tomando seu espaço, os braços da mesma forma começam a tremer e o desconforto fica agora angustiante,
mas sua maior dor não reside nos músculos a fraquejarem e sim na âncora que parece querer entregar-se ao mar, ansiando tocar o fundo do oceano !
Essa dor está no limite, o marinheiro precisa tomar uma decisão, respirar pela ultima vez e ceder ao anseio da âncora entregando seu coração a tempestade? Ou solta-la, e nadar solitário na incerteza de um novo recomeço??


quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Retorno

O que fazer quando a noite se aproxima e o sol começa a se por?
Outrora o sol aquecia e a brisa um tanto refrescante me lembrava do gigante de luz do qual necessitava. Agora sem o sol a brisa tornara-se um vento que lentamente resfria congelando o coração. O que fazer??
Percebo que a melhor das opções seria ter me achegado perto de vocês, ter buscado calor para enfrentar a noite que seria mais fria, calor este obtido num abraço, ou numa conversa sobre nossa vivencia na tarde ensolarada. No entanto busquei o gelo em meu afastamento e em minha inóspita solidão, os batimentos se enfraquecia e meus esforços se tornaram uma busca egoísta e incessante em me manter aquecido, de modo que meus olhos, por esta escolha, se fecharam para a necessidade dos outros e para as suas.
Desanimado, cansado e frio ouço a voz do sol a dizer:
- Onde está você Adão?
Esta pergunta não foi pelo seu desconhecimento em minha posição, foi a pergunta que ecoando em mim durante toda noite trouce questionamento sobre onde estou e se aqui permanecerei.
Não, aqui não é o meu lugar.
Caminho em direção a vocês, um tanto frio pois o gelo ainda permanece em mim. Na roda da comunhão me assento e com vocês pacientemente aguardo nesse inicio de manhã, o nascer do sol.



quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Degelo

O coração pode ser considerado uma pedra, é verdade, mas a essencia e a premissa é que o coraçao é agua fluente, mas pq entao nao flui??
És uma pedra de agua, um grande iceberg, e em seu ambiente inospito e frio: adormece.
O sol o procura, querendo faze-lo fluir, com paixao, pacientemente espera seu despertar.


domingo, 30 de outubro de 2011

Liberdade, o grito o sangue e a ferida.

Minha maior vontade é gritar, nao é o grito pelo grito somente é um grito diferente, é um grito por liberdade ... nao sou de passar vontade, entao eu grito , grito com tamanha força fazendo sangrar minha garganta.....
Esse sangue é bom, sacia meu desejo na medida que escorre por minha garganta, fecho os meus olhos e concentro nesse sabor, sabor este que logo acaba....
Agora começo a sentir nao mais o sabor do sangue pois ele acabou, mas a dor da ranhura na garganta causada pelo grito, grito esse por liberdade, essa dor é carregada de angustia, nao sou de passar angustia, lembro do sabor anteriormente experimentado... de novo?? pq nao??
Grito com mais força, sei que assim sairá mais sangue e sentirei maior alivio da minha saudade em ser livre, minha expectativa é suprida a ranhura se abre ainda mais, o sangue vem.... 
O sangue se foi, junto com ele se vai minha saciedade (saciedade momentanea é verdade, mas que merda...estava saciado) agora a dor, a angustia, e a ferida..... O que fazer?? Eu sei o que fazer, eu ja fiz isso, já me senti bem.
O sangue agora nao é so sangue, é dor, angustia, amargura, tudo está tao ruim, a ferida agora está aberta, o sangue escorre mas nao sacia. Permaneco nessa dor com os olhos ainda fexados....
Alguem toca os meus olhos me convidando a abri-los....


domingo, 28 de agosto de 2011

O caminhar.

Leia sem pressa sem moderação, feche seus olhos e leia, feche seus olhos e sinta, é do meu coração para o seu coração.



Leia sem pressa sem moderação, feche seus olhos e leia, feche seus olhos e sinta, é do meu coração para o seu coração.
Caminho pelo deserto, um deserto plano de areia, olho para todos os lados e nada vejo alem do deserto, a areia é fina meus passos se arrastam não sei para onde, meu medo é de ficar parado.
Com um mochila nas costas presas em mim... caminho, uma mochila onde tudo cabe; pedras aparecem ao meu caminho não sei porque mas eu as ajunto e coloco na minha mochila.
Caminho bastante, sempre cabe uma pedra, meu caminhar agora é um arrastar de pernas.A mochila se torna ainda mais pesada quando presto atenção no silencio..este silencio me incomoda e me inquieta ..o silencio pesa sobre as pedras... este silencio que dialoga com minha solidão... o silencio que mostra que sou escravo, escravo da minha mochila, escravo das minhas pedras.
A mochila, as pedras, o silencio a me incomodar, surge um sopro, um sopro contrario ao meu caminhar, na medida que caminho o sopro aumenta tornando-se um vento, um vento que parece querer me mostrar o caminho a caminhar, não sei porque mas não cedo ao seu pedido, cedo a minha vontade ou melhor luto pela minha vontade, luta essa que me desgasta e me arrasta.
A mochila, as pedras, o silencio e agora o vento me castigam, se ao menos eu pudesse largar da mochila, se eu pudesse parar de ajuntar pedras, se o vento parasse de me convidar, não sei porque mas dentro de mim a angústia vem crescendo, percebi ela agora a pouco, e ela já esta tremenda, presto atenção nela e ela me entristece me deixa furioso me deixa fatigado me deixa ahhhhhh sozinho. Meus pés se arrastam pela areia fina, não aguento mais isso tudo.
Paro de caminhar, respiro fundoooooooo, respiro fundo pela segunda vez, então abro minha boca e grito, grito pela segunda vez e dessa vez meu grito puxa junto minhas lagrimas, inicio um choro, um choro de angustia um choro de solidão. O grito se mistura as lagrimas, e essa mistura cai na areia fina, olho para essa mistura no chão, e essa mistura é um pedido de socorro, e esse é meu único.
Do olhar para o chão passo agora a olhar para o céu, o vento para, o vento cessante parece me dizer ter chegado ao meu destino , avisto distante em meio a imensidão deste céu, algo a se aproximar de mim, algo a se aproximar do chão, algo a se aproximar da areia, meu desejo é correr, tenho um temor do que se aproxima. mas o vento que cessara a instantes me diz para ficar.
O algo começa a ter forma no céu, começa a descer mais rápido, percebo que é feito de madeira, uma madeira escura, quando percebo que é uma cruz, a mesma se crava no chão a uns 100m de mim, com o cravar dela o chão se treme, o chão se racha, o medo toma conta de mim penso em correr, mas o temor da grandeza dela me convida a ficar, o deserto vem se rachando na minha direção, até alcançar a ponta dos meus dedos, então inesperadamente o vento me joga para trás, o deserto se abre atrás de mim, e caio.
Caio num oceano, um oceano de sangue, caio sem afundar, este sangue remove de mim as pedras, remove de mim a mochila, remove de mim o medo, remove de mim a angustia, remove de mim a solidão.
Após o sangue ter removido tudo de mim decido mergulhar, mergulho neste sangue para nunca mais voltar e agora para sempre viver.